O oeste da Madeira mostra o lado mais dramático da ilha. Num único dia passa-se dos socalcos de bananeiras da costa sul abrigada para as falésias bravias do Atlântico a norte e sobe-se a uma floresta de loureiros que fica dentro das nuvens boa parte do ano. Como a viagem é privada, é você que decide quanto tempo fica em cada miradouro, em vez de seguir o horário de um autocarro.
O dia começa habitualmente em Câmara de Lobos, a vila de pescadores onde os barcos de madeira ainda são puxados para a calçada e onde a tradição da poncha é mais forte, e segue para o Cabo Girão com o seu passadiço de vidro sobre o mar. Depois vem a costa sudoeste por Ribeira Brava e Ponta do Sol, antes de atravessar a serra para o norte.
A norte a paisagem muda por completo. Ribeira da Janela, Porto Moniz e Seixal ficam sob paredes verdes íngremes, com piscinas de rocha vulcânica cheias pelo próprio oceano. No troço antigo da estrada costeira para São Vicente passa-se pelo Véu da Noiva, uma das cascatas que deram fama a esta estrada. O Fanal, a cerca de 1.000 metros, fecha o círculo com loureiros centenários em pastagem aberta.